Apaixonado por Anime -Matéria do Jornal da Globo (Com Vídeo)
14/06/2008 01:39
O Brasil tem um milhão e meio de descendentes de japoneses, a maior comunidade fora do Japão. A influência dessa cultura aparece de norte ao sul do país.
Na série que comemora os cem anos da imigração japonesa, conheça os animadores nordestinos que buscam inspiração na terra do sol nascente.
O traço ousado e às vezes esquisito que veio de longe encanta os alunos de uma escola de cinema em Fortaleza. Eles só querem saber dos Animes.
“O traço japonês é mais fino, os personagens não são tão musculosos como no ocidental. Fora isso, eles têm os olhos bem grandes, usam uma roupa típica da cultura japonesa e o cabelo colorido”, explica o desenhista animador Fernando Santos.
A inspiração não vem dos contos de fada, e sim do pouco dinheiro, diz o professor Onofre Júnior. “Com poucos traços, poucos desenhos, é possível dar um bom efeito de animação. Eles compensam os poucos desenhos com os planos, com as câmeras em locais mais interessantes”, diz o animador.
Fernando e Onofre são professores de animação, inclusive a japonesa. Eles orientam os primeiros rascunhos dos jovens desenhistas.
Tanto interesse dos brasileiros pelos desenhos japoneses faz muita gente ultrapassar os limites da teoria. Além de dar aula, Onofre e Fernando produzem os próprios animes. Eles criam personagens, desenvolvem roteiro, desenham, animam e dublam.
O resultado vai parar na Internet: é o “Urubutrix”. O nome não é tão japonês, mas os traços e as técnicas são orientais. Neste anime feito em pleno Nordeste brasileiro, o personagem principal, é inspirado no criador, Fernando. “Ele é o personagem mais medroso em termos de enredo, bem satírico. A protagonista é cheia de defeitos, egocêntrica, mesquinha. Essa é a influência que eu coloco em cima dos personagens: ele terem defeitos, não só qualidades”, explica Fernando.
Quando o estilo dos animes chega às ruas, surgem os cosplayers, as pessoas que brincam de se vestir de personagens. “O que leva a gente a fazer isso na maioria das vezes é gostar do personagem. É o prazer de ser aquele personagem por um dia, se vestir como ele”, explica um adepto da moda.
Nesta gramática de comportamentos, existem ainda os otakus, apaixonados não só pelos desenhos, mas por toda a cultura japonesa. E será que eles aprovam os desenhos animados japoneses feitos no Ceará? “Eu gostei, porque além de ser uma coisa extrovertida, engraçada, eles usam eles próprios na história”, aprova o estudante Igor Pontes Araújo.